Who's the Boss?

Ilustras

 

*essa ilustra é da camiseta: Lion Vs Gator 

 

Afinal Who's the Boss?

 

Quando eu fui ao Maker Faire (veja tudo aqui) não imaginava que encontraria uma resposta. 

Na verdade é mais um ponto de vista, que você pode concordar ou não, mas me parece válido.

 

O entendimento que eu tive foi tão amplo que pra explicar vou ter que voltar até a Revolução Industrial , sério.

Parece conversa fiada, mas vai ser necessário, e por favor, não desanime.

Sei que tem algumas coisas que dão preguiça, e a Revolução Industrial é uma delas : )

 

Ninguém mais quer ouvir falar e além do mais virou algo do tipo: desde os primórdios da humanidade…

 

Fique firme! Vai ser rápido!

 

Vamos lá.

 

Bom, durante a Revolução Industrial (digo 1ª e 2ª) e até a sua total consolidação, quem era o "Boss"?

Onde estavam concentrados os esforços e a maior parte da criatividade humana?

Simples, nos inventores.

O mundo girava em torno deles.

Quem inventava máquinas mandava, e movia o mundo, criativamente falando.

Todos os esforços que valiam a pena estavam concentrados ali, nos inventores e suas invenções.

Então, se estivéssemos em 1910/20/30 e perguntássemos: Who's the Boss?

A resposta era: Thomas Edison, Guglielmo Marconi, Nikola Tesla, e por aí vai.

 

Depois disso, veio o período de produção.

O mundo como conhecemos já estava inventado e assim usamos as tais maquinas para produzir, produzir muito! 

Então, se estivéssemos em 1940/50/60 e perguntássemos: Who's the Boss?

A resposta seria: Os industriais, a galerinha que produz!

 

Andando mais um pouquinho no tempo podemos perceber que tudo já estava inventado e sendo produzido em massa, então qual seria a próxima etapa? Vender, vender muito! 

 

Já que tinha uma cacetada de máquinas, fazendo uma cacetada de produtos, precisava vender.

E as vezes vender coisas que você não, digamos assim "precisava".

Quem entra em cena aqui é a propaganda!

Eita!!!

Olha a gente aqui!

Situados na história, coisa linda! 

 

Então, se estivéssemos em 1970/80/90  e perguntássemos: Who's the Boss?

A resposta seria: Os Publicitários.

Quem persuadia o consumidor a compra um produto era quem mandava, quem movia o mundo, criativamente falando.

Todos os esforços que valiam a pena estavam concentrados ali, nos publicitários e suas criações.

Ê mundão!!!!

 

Depois disso veio uma espécie de Idade Média dos tempos modernos, um período das trevas. Onde quem dominou o mundo foi a Especulação Financeira. Vamos pular isso, porque daqui não nos restou muita coisa, a não ser a herança de especulação, que não é um valor digamos assim muito nobre.

 

 

(*essa foi uma leitura livre e com pouquíssimas bases históricas de mais de 1 século de história. Então não me massacre, algo aqui com certeza está errado. É um relato mais intuitivo do que cronológico)

 

 

Voltando pra 2011, eu estava lá, numa feira de invenções e tecnologia.

No Vale do Silício (ou bem perto dele), com um monte de gente criativa, com esforços voltados pra mover o mundo.

E me fiz a pergunta: Who's The Boss?

A resposta: Mark Zuckerberg, Steve Jobs, Larry Page, Sergey Brin e quem mais vier por aí.

 

Gente que está tocando essa revolução tecnológica incrível que vivemos: a Internet.

Todos os esforços criativos que realmente valem a pena estão concentrados ali, na Internet, e nas relações dela com o resto do mundo e as pessoas.

 

Esperei mais um pouquinho e...

 

Então, vieram os resultados do Festival de Cannes (caramba virei publicitário mesmo! Coloquei Thomas Edison e o Festival de Cannes no mesmo texto, é muita pretensão) e o que mais me chamou a atenção foram os filmes do Google Demo Slam. Que nada mais são do que filmes que explicam os produtos do Google. Em suma, parecem as propagandas dos anos 50

 

Minha conclusão pra esse pensamento todo é simples: não foi a propaganda que mudou, ou a capacidade criativa do publicitários que diminuiu. Foi o Mundo que mudou, e consequentemente e importância da propaganda mudou junto.

 

Nesse momento em que estamos inventando novas coisas, é mais importante explicar (de maneira criativa é claro) cada produto, do que persuadir as pessoas a comprarem.

 

Mas calma.

Daqui a pouco tudo vai estar Inventado, e nossa Revolução Tecnológica vai precisar de gente capacitada para vender. Vender muito! 

 

Me pergunte daqui 10 anos: Who's The Boss!!

Posted July 15, 2011

Onde chegamos?

Ondestamos

 

(*essa ilustração é uma adaptação tosca e interesseira do site: http://moebio.com/plasma)

 

Mais uma filosofia de corredor que rolou por aqui no final do ano passado, foi tudo muito rápido, mas o tema ficou na minha cabeça:

 

Onde chegamos?

 

Qual é o papel do digital na estratégia da marca hoje?

 

Parece uma papo cabeça, ou título de um artigo que não vai falar nada além do óbvio, mas a conversa foi prática e rápida.

 

Você já parou pra pensar que a estratégia digital está se distanciando da propaganda?

 

Peraí!

 

Pra entender vamos consultar o pai dos cyber-burros: Wikipedia

 

Propaganda é um modo específico de apresentar informação sobre um produto, marca, empresa ou política que visa influenciar a atitude de uma audiência para uma causa, posição ou atuação.[1] 

 

Ou seja a propaganda se baseia em APRESENTAÇÃO, não em EXPERIMENTAÇÃO.

 

E hoje, o digital trabalha basicamente com EXPERIMENTAÇÃO.

 

Pra entender, imagine que:

 

- A Internet é palco principal, grande, e que está se expandindo, englobando outras coisas em nossas vidas.

A internet hoje não é mais só o browser. Ela vai muito além. Aplicativos, sistemas, TV, e até alguns carros usam a Internet.

Quando vc faz um pagamento qualquer está passando pela internet, joga um Angry Birds, assiste uns vídeos no App do Youtube no seu smarthphone, entra no app do Facebook pra descobrir o telefone de alguém, é tudo Internet. Provavelmente até o próprio telefone vai virar Internet.

Ela está com tudo, e em quase tudo.

E vai crescer muito mais.

Mas isso não depende de você, depende das grandes corporações, da popularização da banda larga, da fibra óptica, e por aí vai.

 

Você não está aqui.

 

- Dentro da Internet existe a criação na Internet. Aqui entram os cabeçudos, gente que cria conexões (Facebook), sistemas de compartilhamento (Napster, Torrent, Wikileaks) gente que faz a plataforma Internet ficar mais amigável pra vc.

 

Infelizmente, nenhum de nós publicitários está aqui.

 

 

- Dentro da Criação na Internet existem várias frações menores, que são os experimentos.

Interações que nos fazem mudar nosso conceito sobre algo.Experimentos com música, vídeo, dados, etc.

Um desses experimentos é a criação de marcas. Aqui já entram alguns de nós.

É aqui que está a tal da experimentação, que estamos começando (ainda que timidamente) a trabalhar: usar a internet para te fazer experimentar algo que vai mudar a sua percepção na vida fora dela.

 

- Dentro de criação de marcas, existe ainda mais divisões, onde cabem a criação de presenças (sites, redes sociais), criação de conteúdos e a criação de campanhas.

 

AQUI ESTAMOS NÓS.

 

Eita!!!

 

Fazemos a apresentação das informações marca. Da maneira mais criativa possível, é claro.

 

Lembra? Propaganda = Apresentar Informação.

 

Ufa! Nos encontramos finalmente.

 

(olhe o gráfico do começo do artigo)

 

-Pra entender tudo um pouco melhor, recomendo ver o documentário A Internet  (Discovery Channel) , pra entender de uma vez por todas que bicho é esse. E pra entender em que ponto estamos, leia o artigo da revista Wired, The Web is Dead. 

 

Partindo daqui, fica um pouco mais fácil.

Entendendo nossas limitações, fica mais simples saber onde podemos chegar, certo?

 

E para entender pra onde vamos, temos que entender onde estamos.

 

E estamos aqui, no nosso mundinho de criação de campanhas.

Dentro da Internet, dentro da criação na Internet,  dentro da criação de marcas, dentro da criação de campanhas.

 

Estamos pequenos não?

Estávamos.

 

Muitas agências já estão usando a internet para te fazer experimentar algo que vai mudar a sua percepção na vida fora dela.

Cases como TwelpForce, Fiat Mio, Nike Plus e Eco-Drive já conseguiram fazer isso.

E é por isso que estamos confusos, estamos de mudança, ou melhor, sempre estivemos.

Mas estamos indo pra uma área bem maior do que a propaganda, o que faz nossas pequenas cabeças de publicitários fundirem.

 

Estamos migrando da nossa área de conforto para o mundo imprevisível e sem fórmulas, dos experimentos.

 

Então, não vamos conseguir tão facilmente a resposta para a nossa pergunta:

 

Qual é o papel do digital na estratégia da marca?

 

Hoje eu conseguiria responder que o digital deve promover a experimentação.

Usar a Internet para te trazer uma experiência que vai mudar a sua percepção fora dela. 

 

Muitos dos briefings que chegam aqui na Click tem escrito nas entrelinhas:

Já apresentei as informações (propaganda) sobre a minha marca, mas agora preciso que as pessoas criem uma percepção nova sobre meu produto, como a Internet pode ajudar?

 

A resposta que damos hoje é a EXPERIMENTAÇÃO. Vamos criar algo que faça a pessoas terem uma experiência bacana com o seu produto.

 

Mas não é tão fácil assim.

Lembra que estamos dentro da Internet, e a internet está se expandindo?

Pois é.

Um dia (e isso será bem rápido), tudo será digital.

E as bolinhas lá de cima vão crescer.

As grandes corporações terão que estar preparadas para expandir a Internet, os cabeçudos terão que estar preparados para expandir, e o nosso mundo da experimentação, que hoje é grande demais para entendermos, vai crescer ainda mais. 

 

Caramba! Onde chegamos heim!

 

Boa sorte para nós!

Grande ou Grandioso

Ilustras
*essa ilustra é uma releitura tosca de David de Caravaggio.

Depois de algum tempo trabalhando com inovação, passei a ser uma espécie de consultor para assuntos impossíveis. Confesso que isso era divertido no começo, porque o pessoal aparecia com todo tipo de projeto pra pedir minha opinião e ver a viabilidade. Apareciam coisas desde "acabar com a fome no mundo", passando por mudar a pergunta inicial do Twitter de "O que vc está fazendo agora" para "O que vc está - comendo, bebendo, qualquer coisa que possa parecer um slogan - agora", até "fazer um eclipse solar artificial". 

 

 

A resposta foi sempre a mesma: dá pra fazer sim (porque tecnicamente, e com uma montanha de dinheiro, sempre dá-se um jeito), mas pra quê mesmo você está querendo fazer isso?

 

A idéia era fazer a própria pessoa que estava pensando tão grande, ver que as vezes não é necessário fazer um eclipse do sol pra vender protetor solar.

 

Não sei exatamente em que momento essas coisas começaram a acontecer, mas sei que foi num momento onde as pessoas entenderam que um anuncio ou filme não eram suficientes e que era preciso pensar grande.

 

Exageros a parte, vou contar uma história pra passar exatamente o pensamento que quero.

 

Quando comecei a pintar, eu queria fazer algo grandioso, importante, memorável. Foi aí que me perdi. Na minha confusão inicial, comecei a confundir o tamanho do quadro com importância do trabalho. Eu via nos museus, quadros grandes, com ampliações gigantescas e que me faziam sentir pequeno diante daquilo. Sem entender direito o proporção das coisas, fui aumentando gradualmente o tamanho das minhas telas. Até que um dia me peguei subindo um quadro pela janela do sétimo andar. A tela era tão grande que não cabia no elevador, então puxei pela janela como se fosse um piano de calda, achando que finalmente, quando eu pintasse aquilo, iria mostrar todo o poder da minha criatividade.

Pintei, e quando vi o quadro pronto, pude entender que ele era grande mas não grandioso. Foi trabalhoso, complexo, demorado, mas não me dava a sensação de ser grandioso. Parei pra tentar entender o que eu tinha feito de errado, e lembrei que o quadro mais grandioso que já tinha visto era a Monalisa, que não é maior do que uma folha A3.

 

Eu tinha feito algo grande, mas estava longe de ser grandioso.

 

Assim como meu quadro, esses caras que vinham me consultar estavam perseguindo o objetivo errado. Se iludiam achando que se fizessem algo grande, ele se tornaria grandioso por uma simples transferência de escala. Existiu e ainda existe uma miopia, por outro lado, nas agência e clientes, que tendem a achar que os problemas de comunicação da marca, não podem ser resolvidos simplesmente com um App de iPhone, ou uma peça de teatro, e se recusam a apresentar esse tipo de solução.

Na maioria das vezes, você é "forçado" a pensar um anúncio, um filme, um site, uma campanha de banners pra maquiar ali dentro o seu App de iPhone, que na verdade sozinho resolveria a parada, mas ninguém tem a coragem suficiente em apostar nisso.

 

Um exemplo disso é o ultimo GP de integrated LiveStrong com a Nike e W+K, fizeram filme, banner, intervenção, etc, quando somente o Chalckbot era suficiente. Na verdade depois que você vê o robô, nem lembra que existia um filme, banners, etc.

 

Não quero de maneira nenhuma ser simplório, quero ser simples.

Acredito sim que você deve fazer um puta estudo de reposicionamento de marca e chegar a conclusão que a solução é um App de iPhone ou uma peça de teatro, porque não?

 

Acredito que o case do TwelpForce (da Best Buy e Crispin) GP de titanium desse ano, ilustra muito que quero dizer.

 

 

Sim, faça um estudo gigante de reposicionamento do marca.

Sim, pense numa maneira de envolver cada consumidor.

Sim, pense grandioso.

Sim, proponha uma solução simples.

Sim, faça o cliente entender a grandiosidade, e não a escala da sua proposta.

 

Sim, você pode ganhar Titanium com isso.

Posted July 26, 2010

Inspirados na transpiração.

Ilustra04

A morte da Far Far, anunciada a pouco, me fez pensar sobre inspiração.
Eu me inspirava no trabalho deles, e de repente, sumiu.
Enfim, lamentações a parte, um pouquinho da minha inspiração se foi e comecei a pensar em como salvar o que restou.

Alguém, algum dia, disse

 "Criatividade é 90% transpiração e 10% inspiração".

Nada mais verdadeiro.

O sentido da frase todo mundo sabe.
E o sentido de transpiração mais ainda:  tem que ralar, trabalhar pra caramba, correr atrás, fazer acontecer, etc, etc.

Vou me concentrar nos 10% que restaram, que é o que me interessa salvar: a inspiração.

Vamos lá, temos 10%, vamos dividir em partes, pra ficar mais fácil entender.

Separe:

2% pra inspiração de vivência, ou seja, você vive situações bacanas e traz isso como inspiração pro seu dia-a-dia.
2% pra referências. Aqui nem precisa explicar né. Referência é referência...hahahaha
2% pra experiência. São coisas que você traz com você e revisita pra fazer diferente, ou mesmo usa como inspiração para não fazer igual, não se repetir.
4% pra a inspiração que vem dos seus ídolos. Das pessoas da sua profissão que você adimira.

Vamos lá, então quer dizer que você rala, rala, rala pra depender no final de uma junção desses fatores pra ter uma idéia realmente bacana?
Pois é parece que sim.

Vamos supor então que você depende dos 2% da vivência.

Meu amigo tu tá ferrado.
Você não vive, trabalha!
É difícil viver experiências bacanas das 0h00 as 6h00 da manhã, que é o período que você não está na agência.
Depender desses 2% é bem arriscado.
Na verdade, a sua vivência está focada em tentar ver coisas novas, mas sentadinho na sua cadeira.
Então, já que você não vive, você procura na internet pessoas que vivem por você. Que criam, que tem tempo de fazer "besteiras".
No final você juntou esses 2% de vivência com as referências.

Assim você depende quase que totalmente das referências que vê sentadinho, fuçando no Youtube, ou lendo anuários antigos, pra criar algo novo.

Puts, tá ficando feia a coisa heim!

Mas vamos lá!
Temos então 4% da referência.
Se agarra neles, não solta!!!
Fuça, veja várias referências, se coça, vamos lá!!!

Só tem um pequeno probleminha: você só está vendo coisas que já foram feitas, e se já foram feitas são não são novas, certo?

Calma, calma, nem tudo está perdido.
Juntando duas ou três idéias "usadas" você consegue criar uma novinha em folha.

OBA!!!

Mas você não sai sem danos com essa substituição. Tem coisas que só a vivência traz, então você perdeu 1% do seu total.
(Desculpa, mas não dá pra aliviar aqui)


Saldo até agora:

Perdemos os 1% de inspiração de vivência, mas conseguimos salvar 1% para as referências.
Então, ainda temos 9% de inspiração.

Só que pra completar 100% vamos ter que ralar mais um pouquinho e passar pra 91% de transpiração e 9% de inspiração.
Tudo bem isso não vai matar ninguém.

Vamos em frente.


Vamos tentar salvar os 2% da experiência, afinal você busca referências em si mesmo, certo?

Errado.Ou, pelo menos, não deveria.

A sua experiência só serve pra ser um ponto de onde você deve partir.
Você não precisa começar do zero, afinal, com certeza,  você já fez coisas parecidas com as quais está fazendo agora. E se não fez, alguém já fez.

Então voltamos pras referências.
Na verdade experiência nada mais é do que uma referência gerada por você mesmo, certo?
E, se você quer fazer algo novo, não pode copiar ninguém e nem se auto-copiar,certo?
Droga!
Acho que perdemos mais 1% da experiência e juntamos o 1% que restou com a referência, outra vez.

Santa referência heim!!! tá salvando a gente!


Saldo até agora:

92% transpiração, e 8% inspiração.

Vamos por 4% que nos resta.
Os 4% dos ídolos.

Quem você quer ser quando crescer?

Já percebeu que essa resposta está ficando cada vez mais difícil.

Pergunte pra um criativo que está começando, com 20 e poucos anos, quem serve de inspiração pra ele.

Provavelmente ele vai titubear...titubear...

E te dar duas possíveis respostas: ou os "mesmos de sempre", ou talvez algum gringo.

Alguém já pensou porque está tão difícil ser inspirador pra alguém? Ou se inspirar em alguém?

Eu tenho um palpite: nos perdemos novamente na transpiração.

Esquecemos ideais, deixamos de criar coisas que podem ser simplesmente bacanas e inspiradoras, e substituimos tudo pela ralação.

Ralamos pra caramba, dia e noite, e achamos bonito.

Isso criou uma geração que se inspira na ralação dos outros.

Explico.

Tem muito gente começando que não se inspira no perfil ou nos ideais dos seus superiores, se inspira em quanto o cara teve que trabalhar pra chegar lá.

Horrível isso né?

Pois é, mas vai piorar.

Como já diria um grande amigo meu:
"Vou ralar, ralar, e ganhar alguns prêmios, como o fulano. Pra um dia poder sentar minha bunda no lugar dele e fazer o que ele faz: nada"

Resumidamente então, tem um monte de gente querendo trabalhar pra cacete, inspirados no fulano que trabalhou pra cacete e que hoje consegue não trabalhar.

Meu deus!!!

Estamos mal.

Com essa prática esquisita, acabamos transformando os últimos 4% de inspiração que nos restavam em transpiração, outra vez.

Saldo até agora:

96% transpiração e 4% inspiração, baseada em referências.

Só que temos um probleminha aqui, só nos restaram 4% de inspiração, que está completamente baseado nas nossas referências.

Bom, levando em conta a democratização da informação, e tudo o que a internert pode nos trazer como referência, estamos salvos, certo?

Errado.

Se todos tem acesso fácil as referências, provavelmente todos terão acessos as suas referências, e como diria Eisntein:

" O segredo da criatividade é saber como esconder as suas fontes"

Fodeu!
Perdemos tudo!

Só nos resta ser 100% transpiração?

Calma, Eisntein condena, mas Einstein salva:

"A imaginação é muito mais importante do que a sabedoria"

Então temos salvação:

Se vivermos mais fora da agência, teremos mais imaginiação e vivência (+2%). Se tivermos mais imaginação, podemos servir de inspiração pra alguém (+4%). Se servirmos de inspiração pra alguém, viramos referência (+2%). Se virarmos referência podemos passar a nossa experiência a diante (+2%).

Ufa salvamos tudo!!!!

E a nossa única condição é viver!

Então troque seu anuário antigo por um skate, ou por uma prancha, ou por uma máquina de fritar batatas, qualquer coisa!

Vai viver meu amigo!

Vai viver!

Porque vivendo tudo se salva, quer dizer tudo não, 10%.

De resto, você ainda vai ter que transpirar muito pra se dar bem.

Posted May 6, 2010

Calibrando o sentido de urgência.

Ilustra3
Esse post não tem nada de análise do mercado ou constatações, como os anteriores.
 
É um conto.
 
Por isso vou direto pra historinha:
 
Estava naquelas épocas de trabalhar pra caceta, até tarde final de semana, etc. Nada além do comum, que infelizmente, a prática da nossa profissão trouxe.
 
Combinei com meus pais de ir no final de semana com a minha família pro sítio onde eles vivem.
 
(Sim, não nasci conectado, muito pelo contrário, meu pai nasceu no sítio, e eu vivi no sítio a minha infância e adolescendia inteira.)
 
Então combinei:
- pai, vamos fazer o seguinte: a gente vai no sítio neste final de semana e já pede pro magrão (caseiro) separar uma lenha pra gente fazer fogueira.
 
(Não, o sítio que estou falando não é o sítio que vc de SP tem na cabeça. Não é em Itu, não tem uma casa gigante, cheia de cômodos, pintadinha de branca, janelas azuis e detalhes em amarelo. É um sítio de verdade, sem frescura, sem lareira, e eu adoro fazer fogueira.)
 
Chegou próximo do final de semana e eu tive que ligar pros meus pais avisando que não poderia ir, pois tinha que trabalhar.
 
No final de semana seguinte a mesma coisa.

No terceiro final de semana, finalmente eu consegui.

 
Sentado do lado do meu pai exercendo o mais belo momento de ócio.
 
(Em  SP o ócio é um pecado, mas no interior é uma virtude.)
 
Meu pai me olhou e perguntou:
 
- mas Pê, o que vocês fazem lá no seu trabalho que tem tanta urgência assim?
 
(mais um parenteses aqui, sei que esse texto já está parecendo um livro do Paulo Coelho, mas é necessário: meu pai é médico, com quase 40 anos de profissão)
 
Respondi com toda a certeza que só um publicitário pode ter:
 
- pai, é que a gente estava com coisa pra entregar segunda-feira, e não deu pra fazer tudo durante a semana, tivemos que trabalhar.
 
(Convincente vai?)
 
Ele parou, me olhou e perguntou como se tivesse 7 anos:
 
- mas por quê vocês deixam as coisas pra entregar na segunda-feira? Não dá pra deixar pra depois?
 
A essa altura eu já estava pensando: ô velhinho ingênuo, não entende nada de propaganda mesmo!! Vou usar um argumento matador e pronto.
 
- pai, é que já tem reunião marcada. Não dá pra mudar.
 
E veio ele com mais uma pergunta de 7 anos:
 
- mas Pê, quem marca essas reuniões não pode marcar outro dia?
 
Se ele não fosse meu pai, nessa altura do campeonato eu já teria mando se foder e falado: sei lá, é assim e pronto!
 
- é que eles já compram o espaço na TV, na internet, sabe pai, e tem que entregar as coisas pra poder veicular.
 
Agora sim eu tinha matado os argumentos dele!!!! Pronto! Tem mídia comprada, fala alguma coisa agora espertão, fala!!!!!!
 
- mas Pê, o que que vocês fazem que vai aparecer na Internet e na TV de tão importante assim?
 
Afe, sujeito insistente!!!!
 
- ah pai, várias coisas! 
 
(não sabia dizer nenhuma na verdade, e não sabia justificar, então falei isso.)
 
- Ah tá!
Ele me falou com voz de quem aceitou mas não entendeu.
- Legal! Que bom que vocês estão com bastante trabalho lá.
 
...
 
E voltamos a olhar para a fogueira sem falar nada.
 
 
 
Essa pequena fábula me fez pensar qual é o nosso sentido de urgência?
 
O que fazemos de tão importante assim que justifique pessoas estressadas? Ulceras?15 horas de trabalho diário?Finais de semanas perdidos?
 
Na cabeca dele, urgência era o que acontecia quando ele estava de plantão e alguém se acidentava.
Ou um quadro tão grave que não podria esperar até segunda-feira.
Ou ainda alguém que levou um tiro e está entre a vida e a morte.
Isso é urgência pra ele, ele entende a urgência como: meu deus se eu não fizer isso agora, alguém vai morrer. 
 
E você? Como entende a urgência?
 
Será que não podemos calibrar um pouquinho nosso sentido de urgência pra juntos termos uma vida com menos "falsas urgências"?
Pra termos tempo de realmente tratar as urgências como devem ser tratadas, um caso de vida ou morte?
E se fosse um caso de vida ou morte, quantos casos assim enfrentaríamos em 40 anos de profissão?
 
Calibre um pouquinho o seu sentido de urgência, a partir desse dia eu calibrei o meu.

Tão 2006!

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Nos corredores a gente costumava maledizer os jurássicos com o jargão: "It's so ninety nine!"

Era uma brincadeira, até com a propria expressão que soa bem esnobe (assim como os próprios caras).

Mas servia pra dizer que eles tinham parado no tempo.

O que me fazia pensar: porra mas se o cara está parado no tempo, por que ele está num cargo de comando?

 

Não deveríamos estar atualizados, ao invés de ficar repetindo o que era feito em 1990?

 

Boa pergunta né?

 

A resposta tembém era boa, ou pelo menos parecia:

 

É que o consumidor não é assim tão avançado como vocês, temos que pensar no mainstream e essa nerdice de internet, não são todos que consomem.

 

Apesar de não entender direito eu aceitava, mas não concordava.

 

Foi então que veio a resposta derradeira, de um grande amigo:

 

relaxa meu velho, quando você conseguir chegar na posição deles você também vai ser um velho antiquado. 

 

A verdade dessa afirmação me deixou no mínimo paralisado.

 

Mas espera aí. O ano dessa discussão era 2006, eu eu estava tinindo! Pensava integrado, conectava consumidor com a ação, internet buscando novos tipos de interação. Wow!!! e agora parecia que  "os consumidores  queriam essas nerdices".

A propaganda na internet estava no momento mais bacana, mudando bruscamente. Todos já tinham absorvido e entendido a importância da revolução do Subservient Chicken e no Brasil o GP de 2005 mostrou que dava pra chegar lá.

A integração tinha chego pra ficar e as agências perceberam isso. Começaram a tentar puxar a internet para dentro da criação pra digamos assim: dar um certo ar de modernidade.

 

Foi aí que o tempo parou. Ao invés de continuarmos atualizados, aprendendo, começamos a parar para pegar pela mãos os que estavam em 1990 e tentar fazê-los entenderem que sim, o consumidor poderia gostar dessas nerdices.

 

Na ansia de fazer essa integração, decidimos parar no tempo pra esperar o pessoal dos anos noventa chegar. 

 

Enquanto isso o mundo lá fora continuava rodando.

Começamos a ver os festivais e ficar com raiva de talvez "nunca conseguir fazer aquilo no Brasil".

E assim passaram 2007, 2008 e os gringos ganhando distância...

 

Até chegar a um ponto que em 2009, vários DCs digitais se reuniram para entender o que estava acontecendo.

Conversa vai, conversa vem e cada um tentando achar o por quê do fracasso rescente em Cannes.

Sempre ficamos com aquela impressão de "caceta, eu tinha pensado nisso, mas eles fizeram antes".

A gente pensava, mas não conseguia agir, mas por que?

Porque enquanto buscamos a integração, ela já tinha acontecido e pior, se modificado.

Então ficamos buscando por um modelo já antigo, tão 2006!

E estamos tentando até hoje.

 

Para o nível empresárial é completamente aceitável, 4 ou 5 anos para que uma mudança seja completamente implementada dentro de uma empresa.

Mas para a internet é muito, muito tempo!

 

 

Hoje eu ainda escuto pessoas falarem coisas muito anos noventa, mas são poucas, o discurso é 2006.

 

E é aqui que infelizmente fiquei.

Maldito 2006! 

 

Percebi isso depois de escrever um artigo explicando as diferenças entre ON e OFF (ON/OFF/AFF) em pleno 2010 e achar o máximo.

Besta né!

 

Hoje  fui almoçar com amigos e o comentário foi: cara seu texto é foda, mas é tão 2006!

 

Genial, eu merecia!

 

Eu vou sair de 2006! Me recuso a ficar.

Vamos juntos? Colocar nossa nerdice na janela, outra vez!

 

Não quero chegar em 2012 e dar brecha pra alguém me maledizer no corredor:

 

"It's  so 2006." 

ON/OFF/AFF!!

Onoffaff

 

Um dos pensamentos mais propagados ultimamente é:
 "Não existe distinção entre propaganda ON e OFF, o que vale é a ideia."

Hum, bem vamos lá, te digo que sim, existe e esse "existe" está exatamente na ideia.

Esqueça o que é internet, revista ou TV.
Não estamos falando de meio , estamos falando de ideia, certo?
E ideia pode ser sim ON ou OFF. 

Explico:

Entenda ON por Conectado/Participativo.

Ter uma ideia conectada significa que você depende da interação dos seus consumidores pra ela existir.
Simples assim: você lança uma ideia, ela cresce, se desenvolve e funciona através das pessoas.
Sem essa colaboração ela provavelmente não sobreviverá.

Entenda OFF por desconectado/Não-Participativo.

Ter uma ideia desconectada, significa que ela independe da colaboração dos consumidores para acontecer.
Também é bem simples, você tem uma idéia brilhante, mas tão brilhante, que ela não depende da interação das pessoas, é uma pura e simples demonstração do seu poder de síntese aplicado a uma marca ou produto.

Então vamos lá: ON=Conectado e OFF=Desconectado.

A essa altura você já deve estar esperando que eu fale sobre as vantagens de uma ideia ON e como isso vai mudar a propaganda e blá, blá,blá.
Seguido de uma detonação sumária das ideias OFF, com requintes de crueldade, e golpes tipo joelhada no vácuo.

Errou.

Cada tipo de idéia tem o seu espaço.

O que você não pode esperar é que uma idéia OFF aconteça de maneira ON e vice-versa.
E é exatamente isso que vou tentar explicar aqui.

Como todo e qualquer profissional de internet, passei um bom tempo "adaptando anúncio" e outro pouco "olhando como essa ideia legal aqui pode funcionar na internet".
Na verdade isso te absorve tanto, que você mal tem tempo de pensar como o consumidor, ou seja, porque catzo eu vou continuar uma ideia na internet?

#FAIL, sem chances, vai dar merda, ou no máximo não vai dar em nada.

Se uma ideia foi pensada pra existir sem a participação dos consumidores, dificilmente você consegue reverter e torná-la participativa.

Durante algum tempo os publicitários pensavam que a internet era uma extensão do filme ou anúncio.
Então,  teoricamente, o consumidor iria ver seu filme e entrar na internet pra ver mais, ter uma experiência maior.
Mas, parando pra pensar, se a sua ideia inicial não depende da interação das pessoas, porque você acha que o fato de replicá-la na internet vai dar um ON nessa interação?
Uma simples URL colocada na cartela ou no canto do anúncio pode te indicar um site, mas será que te leva mesmo, te envolve?
E se por um milagre o consumidor resolver entrar no endereço que vc está propondo, pra quê você quer levá-lo pra lá?
Para ver mais uma vez o poder da sua síntese, agora na versão 2.0? 

Uma coisa acaba não se conectando com a outra como deveria.
O consumidor, que não se contenta mais com a papel de somente consumir propaganda, passa a não achar espaço para interagir com a sua marca. E você se vê gastando o dobro de tempo e esforço pra fazer a mesma coisa em duas ou mais mídias.

Aí você tem duas saídas:
1 - parte para a próxima idéia genial, com todo o poder de síntese aplicado, agora na TV, anúncio, web e alguma outra mídia a sua escolha.
2 - começa a buscar a interação das pessoas.

Veja bem, são dois caminhos diferentes. 
Não condeno, nem menosprezo o primeiro, afinal existem grandes marcas feitas dessa maneira, com uma campanha genial atrás da outra.
Os publicitários particularmente adoram, e alguns consumidores também.

Mas meu amigo, quando você descobrir o poder da interação, não vai mais querer outra vida. É um vício.
Pessoas participando, pedindo e dando sugestões, procurando participar da sua criação, ou simplesmente repassando para amigos, para se sentirem inseridas.
Aqui você consegue uma fonte de inspiração infinita para propor novas idéias, e "brincar" de buscar novas maneiras de envolver seus consumidores.

Nem preciso preciso falar que busco e gosto muito mais de idéias ON, apesar  de algumas vezes sentir uma inveja boa de algumas ideias OFF.
Mas a verdade é que vale criar para os dois lados. (trocadalhos à parte) 
Só não vale o meio termo.
Fazer um conceito que não precisa da participação das pessoas, e esperar que elas participem é horrível, fica forçado e o consumidor percebe isso.
Da mesma maneira que ter uma ideia participativa e não estar preparado para receber críticas, mudar as coisas no meio do caminho e co-criar é talvez ainda pior. 
Se você busca uma idéia ON, esteja preparado para enfrentar mudanças, interagir, repensar e aprender com as sugestões do consumidor. Afinal, uma campanha participativa só começa a ser criada quando ela vai pra rua. Caso nem você e nem sua agência não estejam preparados para fazer as coisas acontecerem "on going",  nem comece.
Do mesmo jeito, se você quer partir pra uma ideia OFF, saiba que por mais que você se esforce, as pessoas já não se interessam tanto assim por propagandas que não “deixam” elas interagirem. A sua idéia “nossa que sacada” dificilmente vai virar uma idéia “nossa quero fazer isso”.

No final, relaxe, se a sua ideia for boa, ela deve dar uma boa propaganda, ON ou OFF,  AFF!!!!

Manifesto pra mim mesmo.

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Como toda apresentação de idéia, resolvi começar meus posts com um manifesto.

Só que pretendo fazer isso de forma bem rápida, não espere um clipe emocionante, com cenas do Imagebank e locução do Paulo Goulart.
Vou ser simples e direto, como sempre.

Durante esses anos todos* trabalhando com propaganda, ou melhor, com propaganda na internet, já passei por várias fases e vi coisas muito bacanas começando e acabando.
Na verdade sempre estive tão envolvido, e preocupado em fazer as coisas acontecerem, que não via sentido em escrever.
Mas sempre fui um filósofo de corredor.
E isso me causou um pequeno problema: como nunca me manifestei publicamente, acabei percebendo que outras pessoas fizeram isso por mim.

Então vou abrir o bico, e mostrar um pouquinho do que penso.
Espero não ofender, mas  também não pretendo agradar ninguém.
Não sou, e nem pretendo ser mais um que muito fala e pouco faz.
Mas também quero deixar de ser um cara que só faz e nunca fala.

Valeu!
Pedro Gravena

*São 10 anos, e 10 anos da Web são mais de 100.